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Gourmet - 12.02.2019

Se o pecado tivesse uma forma, o cacau talvez fosse apontado como o culpado. Nascido pelas mãos dos deuses, criado pelo homem, a evolução do chocolate é interminável, motivada pela ambição secular de ascendermos à imortalidade através do sabor. Os melhores chocolates do mundo, situados entre o sagrado e o pagão, reservam experiências inolvidáveis àqueles que os ousam provar.

Satisfeitos com a devoção dos homens, os deuses astecas lançaram ao solo as sementes de uma árvore que povoaria a terra. Os homens, gratos e engenhosos, deram-lhe uso, servindo-se do seu fruto para criarem uma bebida sagrada, de gosto amargo e apimentado. Quando os europeus chegaram às Américas, rapidamente se renderam ao seu sabor, carregando os barcos, dispersos entre o velho e o novo mundo, e dando a conhecer o cacau ao paladar de reis e sacerdotes.

Ao longo dos séculos, o chocolate mudou. De regresso a casa, o europeu, órfão daquela árvore distante, investiu no seu sabor, retirando e acrescentando, usando o açúcar, o leite, a amêndoa, e outros ingredientes, para recriar a receita original e despertar todos os sentidos através de um único objeto.

O chocolate sempre fascinou, tornando-se, ao longo da história moderna, um desafio obsessivo para quem o fabrica e para quem o consome. Hoje, é vendido e comprado em grande escala. Porém, é através da excelência do mestre chocolateiro, do seu talento, e do seu incansável espírito de sacrifício e de trabalho, que nascem os melhores chocolates do mundo, desejados por muitos, mas de acesso exclusivo.

Os mais avançados laboratórios de produção localizam-se na Suíça, na Bélgica, na França e nos Estados Unidos, e a variante mais conceituada é a do chocolate negro. Dentro das melhores marcas, existem opções para todos os gostos, e todas as sensibilidades do palato. O único critério é a qualidade: a prova de como o luxo também se derrete na boca. 

 

Teuscher (Suíça)

Dolf Teuscher, um mestre chocolateiro, curioso e corajoso, partiu da sua aldeia, nos Alpes suíços, numa viagem sem data de regresso, em busca do melhor cacau. O objetivo estava bem definido: criar o mais saboroso chocolate do mundo. Ao regressar a casa, Teuscher experimentou e provou, juntando ingredientes como o maçapão, as frutas e as nozes. Em 1932, abriu a sua loja, em nome próprio, no centro histórico de Zurique: o sucesso foi imediato; um rastilho que se espalhou por toda a Europa. Os sabores da Teuscher conquistaram prestígio mundial, merecendo, atualmente, um estatuto difícil de igualar. Por entre diversas opções, destacam-se as Trufas de Champagne.

 

House of Knipschildt (Estados Unidos da América)

Fritz Knipschildt, dinamarquês, nascido e criado em Odense, cedo fez da cozinha o seu verdadeiro lar. Aos 13 anos, lavava pratos num restaurante; aprendeu e cresceu, soltando-se das amarras para chegar onde queria: os Estados Unidos da América. Fritz tinha um sonho e começou a fabricar chocolates no seu minúsculo apartamento, em Nova Iorque, que depois vendia a comerciantes locais. Vivendo do Sonho Americano, fundou, em 2008, a House of Knipschildt, combinando métodos de produção modernos com a confeção artesanal de estilo europeu, fazendo uma seleção minuciosa dos ingredientes. Ao criar a marca Chocopologie, Fritz Knipschildt entrou definitivamente no grupo dos grandes chocolatiers contemporâneos. A La Madeline au Truffe – feita com a rara trufa negra de Périgord – é o ex-líbris da sua coleção.

 

Valrhona (França)

Na comuna francesa de Tain L’Hermitage, o chef pasteleiro Albéric Guironnet decidiu dedicar-se à criação de um chocolate artesanal. Estávamos em 1922, e Guironnet, fazendo uso de uma qualquer inspiração divina, desenvolveu uma receita secreta, de contornos complexos, que resultou num produto equilibrado e consistente. Privilegiando o mais importante – ou seja, o cacau –, aperfeiçoou a técnica de melhorar o sabor dos grãos, criando uma variedade com um perfil aromático excecional e inconfundível. Albéric Guironnet fundou a Valrhona, considerada, nos nossos dias, uma referência incontornável daquilo que de melhor o chocolate nos pode dar – ganhando lugar de destaque nos mercados gourmet mais seletivos e exigentes a nível global.

Pierre Marcolini (Bélgica)

Pierre Marcolini, belga de ascendência italiana, tornou-se num fenómeno global de popularidade espontânea, quando, já detentor do cargo de chef pasteleiro, participou, em 1995, e com 31 anos, no Campeonato do Mundo de Pastelaria, em Lyon. Com a mente povoada por planos e sonhos, o talento de Marcolini, assente num perfecionismo inexorável, conquistou o júri e o público – levando-o, inspirado pela vitória, a abrir a sua primeira loja. Pierre Marcolini é um profissional obcecado pelo rigor; aliás, é dos poucos chocolatiers de renome mundial que faz questão em acompanhar todas as fases do processo de produção do seu chocolate. Marcolini viaja anualmente por florestas de cacaueiros, num processo que visa a seleção presencial, grão a grão, da melhor matéria-prima que a natureza disponibiliza.

 

Vosges Haut-Chocolat (Estados Unidos da América)

Fundada em 1998, a Vosges Haut-Chocolat, sediada na ventosa Chicago, surpreendeu o mundo dos chocolates de luxo, com um produto de alta qualidade, que se distingue, sobretudo, pelas propostas de sabores ousados e exóticos. A sua fundadora, Katrina Markoff, uma apaixonada por chocolates e viagens, decidiu unir estes dois universos, e reinventá-los em grande escala através do paladar. A Vosges Haut-Chocolat propõe sabores picantes, como é o caso do conceituado Red Fire Chocolat, a afrodisíaca tablete de chocolate negro que une o chili mexicano e a canela; mais inusitado, considerado um autêntico abalo das convenções, o Dark Chocolat Bacon Bar, conta com o bacon como ingrediente surpresa: parece arriscado, mas merece todos os elogios que colhe.

 

Amedei (Itália)

Em Pontedera, no coração da bela e tranquila Toscânia, é produzido um dos segredos mais bem guardados do mundo do chocolate. O Amedei respeita as técnicas artesanais de fabrico, destacando-se, nos últimos anos, como um dos melhores e mais luxuosos chocolates do planeta. As características singulares desta marca garantem-lhe uma aura especial. O seu cacau chega da longínqua região de Chuao, na Venezuela, e a sua mistura baseia-se, essencialmente, na utilização de trufas e pralinê. Fundada em 1990, a Amedei só se assumiu, definitivamente, como um produto de referência, no início do século XXI – premiado pela Academia do Chocolate, a marca italiana, fundada por Cecilia Tessieri, lançou o Amedei Porcelana, classificado como uma autêntica joia preciosa (e dispendiosa) de doçaria, e o Golden Phoenix, o cupcake mais raro e caro do mundo, apenas produzido na Bloomsbury's Boutique, no Dubai.

 

 

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