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Lifestyle - 18.12.2018

Os dinamarqueses avançaram com um conceito próprio de apreciar e aproveitar a vida: o “Hygge”. Tornou-se quase viral… Depois, surgiu o “Lagom” sueco, que poderia bem tornar-se no novo estilo de vida “sensação”. E se foram estes países nórdicos a colocar novos conceitos de felicidade na moda, este ano surgiram mais dois: o finlandês “Sisu” e um outro, vindo do país do zen - o mais recente conceito para a felicidade é japonês e chama-se “Ikigai”.

Portanto, se já estávamos familiarizados com os dinamarqueses “Hygge” e o sueco “Lagom”, 2018 trouxe-nos o finlandês “Sisu” e, agora, o japonês “Ikigai”. O termo do sol nascente é apresentado na obra O Pequeno Livro do Ikigai, da autoria do neurologista e escritor Ken Mogi. Como praticamente todos os conceitos anteriores, o “Ikigai” descreve a importância dos pequenos prazeres da vida, dos seus significados, e do viver o momento (quem não se lembra do termo em latim carpe diem?), seja na vida pessoal ou profissional.

A palavra japonesa é literalmente constituída por “iki” (viver) e “gai” (razão). Segundo o autor, a mesma “é usada em diversos contextos, e pode aplicar-se tanto a pequenas coisas do quotidiano, como a grandes objetivos e conquistas”. Ao longo do livro ficamos a conhecer os cinco pilares base do “Ikigai”: “começar pelas pequenas coisas”, “libertar-se”, “harmonia e sustentabilidade”, “a alegria das pequenas coisas” e “viver aqui e agora”.

Quanto à Finlândia, trata-se de um país que lidera o topo na lista dos países mais felizes do mundo, feito pela Organização das Nações Unidas, razão pela qual Joanne Nylund veio tentar explicar a razão no livro Sisu: A Arte Finlandesa de Viver com coragem. A chave reside no “Sisu”, que pensa ser o segredo finlandês para a felicidade. Tal como os anteriores, o “Sisu” é um termo sem tradução direta para o português, sendo usado há vários séculos no país. O mesmo está relacionado com a combinação de coragem, resiliência, tenacidade e perseverança, bem como “uma mentalidade orientada para a ação quando se está perante um desafio aparentemente além das nossas capacidades”.

Porém, embora os finlandeses se situem no “país mais feliz do mundo”, é-lhes também reconhecida alguma frieza, resultado de um passado caracterizado pela escassez de recursos e também devido a um clima difícil. Segundo Joanne Nylund “a nossa cultura não é de mostrar emoções livremente. Às vezes, acho que podemos estar felizes sem sorrir. Nós até sorrimos, mas não sorrir também é a maneira mais «confiável» de se ser feliz”.

Em particular, “Sisu” na cultura finlandesa refere-se às entranhas no interior do corpo humano, nomeadamente ao nível do estômago, onde acreditam que resida a força humana, explica a autora. E entende-se por “Sisu” o ímpeto que é necessário para colocar um pé à frente do outro, para subir uma montanha, por exemplo, e não a resistência de que precisamos para tal. Outra das principais características do “Sisu” é a preparação inata para qualquer situação, o que explica que os finlandeses, por norma, se adaptem tão bem a situações mais desconfortáveis, sublinha Joanne Nylund. “O Sisu é uma capacidade individual, mas usamo-la ao serviço do bem coletivo”, diz. Mas o mais importante é, segundo Joanne, “saber que a felicidade começa em nós”. O “Sisu” vem depois.

E quanto aos termos que desencadearam todo este fenómeno do conceito nórdico da felicidade? O “Hygge” (pronuncia-se huga) é a “obsessão” pelo acolhedor e confortável oriundo da Dinamarca, tendo sido um dos fortes candidatos a palavra do ano, em 2016. Porém, em 2017 surgiu um novo way of life escandinavo, que também veio conquistar muita gente. Originário da Suécia, denomina-se “Lagom” (pronuncia-se laghum), que apesar de não ter tradução direta para outras línguas, tal como a palavra portuguesa “saudade”, quer basicamente dizer “a quantidade certa”, “moderação” ou “menos é mais”, dependendo dos contextos.

Na atualidade, em que as pressões sociais parecem estar sempre presentes, o stress no trabalho é muitas vezes exacerbado e a nossa vida é, literalmente, uma correria, o “Lagom” convida-nos a “evitar o excesso e a limitação extremos, o que nos permite entender melhor o que nos faz felizes e o que funciona para o nosso bem-estar mental”, segundo o psicólogo Niel Eék. E o que é que tal significa? No fundo, é deixar de fazer o que é desnecessário ou supérfluo. Ou seja, por exemplo, se estamos numa fila que está a demorar muito, para quê discutirmos e mostrar-nos aborrecidos se lá temos de continuar? Não só não resolvemos nada, como ainda estaremos a incomodar outras pessoas… E para quê ficarmos a trabalhar horas e horas depois da nossa hora de saída, se podemos estar mais concentrados nas horas efetivas de trabalho, podendo planear melhor o nosso dia e até delegar algumas tarefas?

A ideia é a de promover a calma e desincentivar tudo o que é realmente desnecessário, seja em termos de esforço, stress ou limitações. Porém, surge-nos uma dúvida: Porque é que o índice de suicídios é mais elevado nos países considerados “mais felizes”, como a Dinamarca e a Suécia? Têm dois conceitos que promovem a felicidade e o bem-estar, porém, também estão entre os países com maior taxa de suicídios. Tais dados são enfatizados no estudo Dark Contrasts: The Paradox of High Rates of Suicide in Happy Places, de 2011, elaborado conjuntamente por pesquisadores da Universidade de Warwick e pelos norte-americanos Hamilton College e a Universidade de São Francisco.

Os responsáveis pelo estudo pretendiam documentar e analisar as causas desta paradoxal relação entre felicidade e suicídio, entendendo por “felicidade” um conjunto de aspetos de natureza material, como ter dinheiro suficiente, boa casa, comida, roupa, carro e lazer q.b., além de uma vida saudável, livre de privações e com autonomia para cuidar de si próprio. O estudo teve em consideração as primeiras posições na lista dos países considerados pela revista Forbes como os “mais felizes do mundo”, bem como os seus índices de suicídio. Os 10 países, no ano do estudo, eram, por ordem do primeiro ao décimo: a Noruega, a Dinamarca, a Finlândia, a Austrália, a Nova Zelândia, a Suécia, o Canadá, a Suíça, os Países Baixos e os Estados Unidos. Por sua vez, esta lista baseava-se no chamado Índice de Prosperidade, elaborado pelo Instituto Legatum, de Londres, que classifica 110 países.

As conclusões do estudo indicaram que os países mais destacados na lista da prosperidade eram, ao mesmo tempo, os que apresentavam os índices mais altos de suicídio. E observam que tal paradoxo tem a ver com uma comparação entre o nível de felicidade dos suicidas e o nível de felicidade dos outros: a felicidade alheia seria um fator de risco para as pessoas de baixa autoestima, descontentes por viver em lugares onde as outras pessoas demonstram mais felicidade do que elas.

Tais conclusões questionam outras que, até então, atribuíam o índice de suicídios em países nórdicos às características particulares do próprio país, como as escassas horas de luz solar no inverno. Eram também apontadas diferenças culturais e atitudes sociais em relação com a felicidade e com o modo de conceber a vida. Os autores do estudo indicam que “os seres humanos podem construir as suas normas mediante a observação do comportamento e dos resultados atingidos por outras pessoas e tendem a julgar a sua própria situação com menos dureza quando observam outras pessoas com resultados similares aos seus”.

E onde entramos nós, portugueses? Segundo Meik Wiking, o homem mais feliz do mundo, presidente do Happiness Research Institute e autor de O Livro do Hygge — O segredo dinamarquês para ser feliz, os portugueses estão cada vez mais felizes. “Neste momento, parece que há um sentimento de otimismo no país. E no futuro, Portugal poderá ser um dos países mais felizes do mundo. Acredito que alguns valores partilhados pelos portugueses conduzem à felicidade porque realçam a formação de relações sociais de proximidade com família e amigos. Ah, e também acho que os dinamarqueses e os portugueses têm em comum o facto de serem pessoas relaxadas e talvez menos competitivas do que na Coreia do Sul ou nos Estados Unidos. Não vejo razões por que Portugal, a longo prazo, não possa estar mais próximo dos países mais felizes do mundo.”

Então, como se consegue perceber quão feliz uma pessoa possa ser? O problema de medir a felicidade é que a mesma é um fenómeno muito subjetivo. O que é a felicidade para uns pode não ser o mesmo para outros…

 

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