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Tendências / Desfiles - 12.04.2019

O mundo da moda pode ser ingrato para a mulher devido aos standards impostos pelas grandes marcas de vestuário, porém, pode também assumir-se como o cúmplice perfeito na luta pela liberdade e igualdade de género.

A Primeira Guerra Mundial foi o ponto de viragem do papel da mulher nas sociedades modernas, passando a ocupar funções no mercado de trabalho atribuídas, normalmente, ao universo masculino. A mulher foi-se gradualmente libertando do espartilho, que surgiu no século XV, adotando peças de roupa que permitiam a liberdade de movimentos, como os casacos com corte reto e as calças, até então usadas única e exclusivamente pelos homens. Coco Chanel foi a grande protagonista desta época, conferindo feminilidade a peças tipicamente masculinas.

Após a Segunda Guerra Mundial, no final da década de 1940, a marca francesa Christian Dior foi a grande impulsionadora do estilo revolucionário, emergindo uma mulher mais feminina e sensual, destacando a sua silhueta com uma elegância sofisticada. Vestidos e saias cintadas, decotes e muito glamour tomaram conta das passarelas da vida real.

A grande conquista da liberdade no vestuário feminino surgiu nos anos 1960, com a invenção da minissaia, reflexo da quebra de padrões e procura de um papel ativo da mulher na sociedade. Em 1966, Yves Saint Laurent criou o smoking feminino – “le smoking” – representando uma nova atitude na mulher. Segundo Pierre Bergé, co-fundador da marca YSL, "Chanel deu liberdade ao corpo da mulher e Saint Laurent deu poder à mulher com as roupas de homem".

Na década de 1970, Calvin Klein introduziu os jeans nas passarelas, democratizando esta peça de vestuário, não só ao nível de género, como também ao nível da classe social, podendo ser vestida por todos. Atualmente, os jeans ainda são considerados a peça de vestuário mais universal e popular de toda a história.

Nos anos 1980, e em especial nos EUA e no Reino Unido, as mulheres começaram a alcançar cargos de chefia em grandes empresas. Nascia, a partir deste momento, o power dressing, um estilo de vestuário criado para o contexto profissional com o grande objetivo de conferir eficiência e competência à mulher que o usa – as peças-chave são os tailleurs com chumaços nos ombros e cores fortes.

No auge dos movimentos punk e grunge dos anos 1990, a lingerie ganhou protagonismo, em parte, devido ao icónico soutien da autoria de Jean Paul Gaultier, usado por Madonna durante a digressão “Blonde Ambition”. Foi também na década de 1990 que o Wonderbra (o famoso soutien push-up) ganhou um enorme destaque em todo o mundo.

Com a passagem de milénio e a entrada no século XXI, as causas sociais ganharam relevância nas passarelas, nas quais as modelos desfilavam também causas feministas. Em 2015, Karl Lagerfeld trouxe para a coleção primavera/verão uma manifestação feminista em que as modelos desfilaram com cartazes com as frases “Faça moda, não faça guerra!” e “Feminismo e não masoquismo!”.

Nos últimos anos, tem-se assistido a um forte renascer da androginia – que sempre esteve presente na moda –, porém, em vez de encobrir os limites entre géneros, evidencia a possibilidade de manter uma identidade de género mesmo que se vistam peças de roupa normalmente associados ao género oposto. Estaremos a assistir a uma fusão de géneros e a uma liberdade para ser e parecer? O tempo (e a moda) o dirão.

 

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