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Tendências / Desfiles - 16.04.2019

Em Régio de Calábria, na pontinha da bota onde a Itália termina, ninguém imaginava que daquele nevoeiro cerrado e húmido, nos princípios do dezembro de 1946, ocultando o azul vivo do Mediterrâneo e as colinas próximas da Sicília, nasceria o génio revolucionário de Gianni Versace. Numa terra bela e simples, renascida há pouco das sombras pretas, o jovem Giovanni despertava para a vida, dava os seus primeiros passos, e amealhava inconscientemente, a cada segundo, as memórias das ruas e dos rostos que transbordariam, anos mais tarde, numa torrente criativa imparável e sem paralelo.

A moda sempre acompanhou Gianni Versace, filho do meio (dois anos mais novo do que Santo; e nove anos mais velho do que Donatella) de uma família convencional. Antonio, o pai, era vendedor e Francesca, a mãe, costureira e proprietária de uma loja de roupa. Foi exatamente aqui que tudo começou: Gianni não despregava os olhos do trabalho de sua mãe, fascinado por aquela arte e pelas elegantes mulheres que, diariamente, se deslocavam até ao seu ateliê. Apaixonado por roupa, arte e música, Versace estudou arquitetura, mas, aos 18 anos, escrevera já o seu destino, conciliando os estudos com o papel de negociante da sua mãe – o que lhe deu a oportunidade de viajar pelas feiras de moda por toda a Europa.

Não tardou que Gianni Versace, dono de um grande talento e experiência, arriscasse no meio, desenhando uma primeira coleção a pedido de um costureiro local. Estávamos em 1968, e Gianni, com apenas 22 anos, fazia-se ouvir pela primeira vez, alto e em bom som, na qualidade de estilista de referência. As notícias do seu sucesso varreram o país, espalhando-se em ondas de curiosidade. No início de 1972, chegou sem surpresa o tão ansiado desafio: Milão, a capital mundial da moda, cidade reservada aos predestinados, tanto os estabelecidos como os emergentes, chamava finalmente por si. No Norte, longe da sua terra natal, a sua carreira descolou, com naturalidade. Gianni Versace desenhou para Florentine Flowers, De Parisini di Santa Margherita, Genny e Callaghan e, em 1974, criou e desenvolveu a sua primeira linha de roupa, que batizou como Complice.

Por esta altura, atraídos pelo sucesso do irmão, Santo e Donatella fizeram as malas, deixando as raízes para trás e fixando-se também em Milão. Santo, um homem de negócios, e Donatella, jovem e ambiciosa, transformaram-se nos pilares fundamentais do passo de gigante que Gianni Versace há muito preparava: em 1978, era fundada a Versace (logo abrindo loja na romântica Via della Spiga). Erguia-se assim uma das maiores e mais importantes casas de moda do século XX.

A forma fulgurante – e já nada surpreendente – como a sua marca se desenvolveu, tornou-o, à época, num dos protagonistas incontestados da cultura popular. Gianni Versace conquistara o poder de congelar o mundo periodicamente: era exatamente assim que se geriam as expectativas pelo lançamento de cada nova coleção. Utilizando matérias-primas inusuais, como o plástico, a borracha ou o metal, denotando uma preferência excêntrica pela antiguidade clássica, e uma ousadia rebelde como assinatura, Gianni Versace concentrava todas as atenções, todos os elogios e todo o prestígio a nível global. As suas criações ultraluxuosas marcaram indelevelmente as décadas de 1980 e 1990, granjeando-lhe uma invejável clientela de ricos e famosos. 

Na manhã de 15 de julho de 1997, o seu percurso viria a ser brutalmente interrompido. O mundo acordava em choque com a notícia da morte de Gianni Versace, assassinado com um tiro sem causa, à porta da sua mansão em Miami – meio século de vida fugaz, tornado em algo muito maior, permanente e intemporal. Por entre os escombros, tomaram-se decisões: Donatella, a sua irmã, braço direito e musa, tomou as rédeas da empresa, auxiliada pelo irmão Santo e pela sua filha Allegra Versace Beck.

A Versace nasceu e cresceu pelas mãos de Gianni, desenvolvendo a atividade para além da roupa. A marca continua hoje a apostar em acessórios, perfumes, cosméticos, artigos de decoração para o lar e joias. É ainda proprietária dos resorts Palazzo Versace, na Austrália e no Dubai. Em setembro de 2018, a Versace entrou numa nova era, ao ser adquirida, num negócio milionário, pelo grupo norte-americano Michael Kors. O projeto prevê manter e reforçar o carimbo de luxo, beleza e qualidade da Versace, com respeito pelos critérios do seu eterno fundador.

 

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