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Tendências / Desfiles - 16.07.2019

O aristocrata francês Hubert de Givenchy destacou-se como um dos precursores do universo da alta costura e do prêt-à-porter. Ao longo da sua vida, lutando contra as convenções da época, soube construir uma carreira sólida e um nome de prestígio que ainda hoje perdura.

Hubert de Givenchy chegou ao mundo numa amena tarde de fevereiro de 1927, em Beauvais, a norte de Paris. Nascido em berço de ouro, filho de um marquês, Hubert teve de lidar cedo com uma tragédia que viria a definir o seu destino, para o bem e para o mal: a morte do seu pai. Com apenas dois anos, Hubert identificou no seu avô, empresário no setor da tecelagem, o modelo masculino a seguir. Na infância, passou a acompanhá-lo diariamente até à sua oficina de tapetes, crescendo rodeado de tecidos e de padrões. Durante o dia, o pequeno Hubert contava os minutos para o toque final das aulas, altura em que saía a correr da escola, direto à fábrica, demonstrando, já em criança, o seu interesse pelo mundo da moda.

Durante a sua adolescência, Hubert de Givenchy, convertido num jovem aspirante a estilista, visitou diversas exposições de figurinos, da autoria dos mais famosos criadores franceses; procurando, desta forma, a inspiração para os seus primeiros rascunhos. Com apenas 17 anos, partiu da sua terra natal para embarcar naquela que viria a ser a grande aventura da sua vida. Rejeitando uma carreira na advocacia – mais ambicionada pela família do que pelo próprio –, obrigado a lutar contra as convenções associadas ao seu estatuto de aristocrata inscreveu-se na Escola de Belas Artes de Paris, carregando apenas consigo o seu caderno de desenho. Procurando satisfazer a ambição de se tornar num estilista de alta costura, arranjou emprego na casa Jacques Fath, ainda enquanto estudante, dando assim os primeiros passos no mundo profissional da moda, onde conheceu e aprendeu com nomes consagrados, como Robert Piguet, Lucien Lelong e Elsa Schiaparelli.

Terminada a Segunda Guerra Mundial, somados vários anos de aprendizagem, Givenchy encontrava-se preparado para concretizar o seu sonho de menino e abriu, em 1952, a sua própria maison, na rua Alfred de Vigny, em Paris. Trabalhando arduamente nas suas criações, testando tecidos, texturas e formas, apresentou, nesse mesmo ano, a sua primeira coleção, que viria a imortalizar Bettina, a blusa de folhos nas mangas considerada, ainda hoje, um dos ícones da sua marca. O seu sucesso foi imediato, porém, nem o próprio Givenchy poderia prever a magnitude que a sua carreira alcançaria, logo a partir de 1953, ano que o marcaria decisivamente. Tudo aconteceu por mero acaso: Audrey Hepburn, uma jovem de 23 anos, procurava um criador que confecionasse o guarda-roupa para o filme “Sabrina”. Atenta ao êxito meteórico de Givenchy, a atriz marcou uma reunião com o estilista. No entanto, Givenchy aceitou o encontro julgando que a tal “Sra. Hepburn”, ao telefone, se tratava da consagrada e também atriz Katharine Hepburn; ao se deparar com a jovem Audrey, morena, envergando com simplicidade uma t-shirt atada em nó, umas sabrinas e um chapéu, Givenchy ficou fascinado. Cativado pela sua beleza, concordou imediatamente em criar o guarda-roupa para o filme (que acabaria por ganhar o Óscar de Melhor Figurino, em 1955), continuando, ao longo dos anos, a criar roupa para Audrey Hepburn, tanto para o cinema, como para a vida real, como é exemplo o vestido preto que a atriz imortalizou no filme “Breakfast at Tiffany’s”, de 1961. Desta relação, nasceu uma forte amizade – Givenchy havia encontrado a sua musa.

Hubert Givenchy foi o responsável pela introdução de diversas inovações no mundo da moda, como o sack silhouette, por exemplo, um vestido que abdica de uma silhueta definida, caindo solto sobre as formas do corpo. Lançou ainda o perfume L’Interdit – criado, num primeiro momento, exclusivamente para Audrey Hepburn –, inspirado nos desafios da sua própria vida e que obteve sucesso espontâneo. A partir de 1969, passou a apostar igualmente na moda masculina, lançando a linha Gentleman Givenchy. Após três décadas de enormíssimo sucesso, a casa Givenchy acabaria por ser adquirida pelo Grupo Louis Vuitton Moët Hennesy. O estilista francês manteve-se como diretor criativo da marca até 1995, despedindo-se definitivamente das passarelas num desfile único e exclusivo, digno do seu talento, para o qual apenas foram convidados os seus amigos, estilistas e principais clientes. Em 1996, o Council of Fashion Designers of America concedeu-lhe o Prémio de Carreira, confirmando, desta forma, o que já todos sabiam.

Na manhã de 10 de março de 2018, o universo da moda acordou com a notícia da sua morte. Partia, assim, um dos principais estilistas do século XX, cujo trabalho ainda inspira inúmeros artistas e criadores. A casa Givenchy continua em constante crescimento, e, neste período, já viu passar pelo seu ateliê nomes sonantes como John Galliano, Alexander McQueen, Julien MacDonald ou Riccardo Tisci. Desde 2017, as suas criações são da responsabilidade da estilista britânica Clare Waight Keller.

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