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Tendências / Desfiles - 15.10.2019

Já a pensar na Primavera-Verão 2020, as peças de vários designers desfilaram durante quatro dias pela passerelle da 53.ª edição da ModaLisboa, sob a temática Collective. A apresentação das coleções de seis jovens marcas e criadores de moda decorreu na zona do Campo de Santa Clara, nas Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento. Curiosamente, nestas instalações e durante décadas, produziram-se fardas, calçado e equipamentos do Exército, da Marinha e da Força Aérea, como também os trajes oficiais de fidalgos e os uniformes de forças de segurança. Outras modas, portanto…

Na passada sexta-feira, o calendário de desfiles abriu, como de costume, com o segmento Sangue Novo. Seguiram-se as apresentações de Hibu, marca que ressurge após três anos de pausa, e dos Colisão Studios. Ao cair da noite, Valentim Quaresma encheu a grande sala de desfiles e, batendo continência ao tema (Collective) e ao local, pôs os primeiros coordenados a exibirem medalhas, condecorações e acessórios que remetiam para uma autêntica estética militar. Coube à Awaytomars, plataforma de design colaborativo, o encerramento do primeiro dia. Os criadores Alfredo Orobio e Marília Biasi aproveitaram a ocasião para anunciar o lançamento de uma microcoleção para a Missoni, cujo primeiro resultado surgirá no próximo outono, com apresentações agendadas para Lisboa e Milão.

A performance Cativação abriu o segundo dia de apresentações da ModaLisboa. Nuno Gama trocou o seu habitual formato por uma mise-en-scène de contornos poéticos. Na encenação figurativa d’O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, musicada ao vivo por um grupo de violinistas e um cantor, o criador deixou um alerta à medida que apresentou peças únicas, não incluídas em nenhuma das suas coleções sazonais, tendo o próprio afirmado que a verdadeira coleção será lançada apenas em março. Optar pela encenação em vez da habitual apresentação de coleção fez todo o sentido, para Nuno Gama, sobretudo neste momento, pelo planeta que ele imagina e deseja às gerações futuras. Além disso, este clássico mundial é uma obra de culto para o próprio criador, possuidor de uma coleção que acumula diferentes edições.

Outros nomes passaram por este segundo dia de ModaLisboa, tais como Patrick de Pádua que regressou à efeméride depois da ausência na última edição, desfilando em parceria com a marca de calçado Ambitious. E depois de Aleksandar Protic, que apresentou xadrez e cores sólidas e vibrantes, como o laranja e o verde, coube a Ricardo Preto exibir Awake, uma coleção desenhada em exclusivo para a multinacional filipina Rustan’s, na qual o criador português delineou um verão bem eclético, diverso em silhuetas e materiais.

Alexandra Moura também deixou a sua marca neste segundo dia de desfiles, tendo a coleção da criadora para a Decenio superado todas as expectativas. Este não foi o único desfile a ser trazido pelo Portugal Fashion, pois Luís Onofre veio até à capital para integrar, pela primeira vez, o painel da ModaLisboa. O criador de calçado apostou em tecidos e no trabalho de bordados e pedraria, com a cortiça e a madeira a comporem os saltos, enquanto os ténis, vertente cada vez mais desenvolvida pela marca, vão ganhando mais peso.

A coleção Private Place, de Dino Alves, dotada de um certo romantismo, encerrou o segundo dia de desfiles com o recinto a assemelhar-se a um enorme boudoir. Os detalhes da roupa interior saltaram para o exterior, desde os tons nude e rendas às ligas e estruturas que remetem para saiotes e crinolinas, tendo o criador apostado nas transparências e desconstruções.

Ao fim da tarde do terceiro e último dia, após as apresentações na sala LAB, coube a Gonçalo Peixoto, o atual menino-prodígio da moda portuguesa, abrir os desfiles na sala principal, exibindo uma fantasia de rápido consumo. Lidija Kolovrat deu passo aos veteranos com uma reflexão sobre o futuro, a renovação e a reciclagem. Num regresso ao calendário lisboeta, Carlos Gil foi o criador que se lhe seguiu, num desfile também promovido pelo Portugal Fashion. Gil mantém-se fiel à sua estética: cores fortes, silhuetas longilíneas, alguns excêntricos elementos e sempre aquele seu toque desportivo. Luís Carvalho encerrou esta edição recuando na máquina do tempo, até aos anos 20, sua fonte de inspiração. O desfile foi fechado com chave de ouro graças à atuação de Ana Moura com interpretação ao vivo do seu novo tema, fruto da colaboração com Branco, unindo a moda e a música e aplausos finais.

A próxima edição da ModaLisboa acontece em março de 2020 e, ao que tudo indica, voltará a realizar-se no mesmo local no Campo de Santa Clara, nas antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército.

De notar que o título Collective evoca a parceria entre a ModaLisboa e o Portugal Fashion. O protocolo de cooperação, assinado em setembro de 2018, pretendeu unir esforços, mas não no sentido da fusão dos dois eventos. O objetivo é o de especializar cada um na sua natureza de base: as geografias e as suas áreas de atuação, em que ambos os eventos terão a colaboração estreita entre as duas associações. Por exemplo, no passado fim de semana, a passerelle lisboeta recebeu os designers Carlos Gil, Alexandra Moura e Luís Onofre, tipicamente residentes do Portugal Fashion.

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