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Entrevistas - 24.08.2018

Viver longe da capital não impediu Carlos Gil de ver o seu talento reconhecido mundialmente e de apresentar as suas peças elegantes, atuais e cosmopolitas nos melhores desfiles de moda nacionais e internacionais. Sendo um designer de moda de enorme profissionalismo, e em constante perseguição da beleza nas suas mais variadas formas, a F Luxury Magazine quis conhecê-lo um pouco melhor…

  • Tem consciência do momento em que começou a gostar de moda?

    Recordo que o meu gosto pela moda foi crescendo enquanto observava a minha mãe a arranjar-se para os bailes e noites de gala, quando vivíamos em Moçambique, onde nasci no final da década de 60. Era uma época de glamour, dedicava-se tempo ao pormenor e à preparação…

 

  • Nem tudo é fácil na vida de um criador de moda. Quais são os maiores obstáculos que sentiu?

    Um dos grandes obstáculos é viver no interior, mas é no Fundão que me sinto bem e encontro paz de espírito. Entre ter visibilidade e ser feliz prefiro a felicidade. Contudo estou certo que com a exposição que a marca tem neste momento, e principalmente com a sua internacionalização, cada vez mais pessoas procuram e querem conhecer o Carlos Gil.

 

  • Em 2009, a marca Carlos Gil apresenta-se pela primeira vez no Portugal Fashion, passando também pela ModaLisboa. Mais recentemente, conquistou os mercados internacionais, nomeadamente Milão. Como vê a sua prestação nas semanas da moda?

    Estar numa das maiores semanas de moda, ao lado das melhores marcas sobre quem caem todos os holofotes, Dolce & Gabbana, Prada, Fendi e tantas outras, faz com que tenha de assumir uma responsabilidade ainda maior. Encaro o meu trabalho sempre com a mesma seriedade e profissionalismo, não só por representar a minha marca, mas também por representar o meu país. É necessário saber o que se quer, ser-se objetivo e dar sempre o nosso melhor até ao último minuto antes do desfile. No meu desfile, através do meu gabinete de comunicação e showroom em Milão, estão presentes buyers  de todo o mundo, por essa razão comercializamos para a Europa, Ásia, e América. Fazer um desfile com a mesma história mas para culturas completamente distintas, requer de mim grande exigência. E sempre comungando com aquilo que a marca se propõe: vestir uma mulher elegante, moderna e sofisticada, pensando no seu conforto.

 

  • Desde 2010 tem vindo a partilhar a sua experiência e conhecimento com os alunos da ETIC - Escola de Tecnologias Inovação e Criação. O que significa para si lecionar no curso de Produção de Moda?

    O bichinho de ser professor vem de família. Tenho uma visão do ensino diferente porque considero que ao lecionar aprende-se mais do que ensinamos. Ensinamos o que está formatado, mas aprendemos o que cada um tem para nos dar.

    Quando acabei o meu curso em Design de Moda passei a lecionar na escola secundária durante 7 anos, algo que recordo com muitas saudades. Hoje leciono somente quando sou convidado, pois o tempo escasseia cada vez mais.

 

  • Já obteve grande reconhecimento público, nomeadamente a Medalha de Mérito da Cidade do Fundão e a Ordem do Infante D. Henrique. O que representam para si estas condecorações?

    Sinto-me muito honrado e orgulhoso por estas conquistas. É um sinal de reconhecimento do meu trabalho.

 

  • Com uma identidade própria, a marca Carlos Gil foi recentemente referenciada como inspiração e tendência no livro Next Look Close Up – Women’s Wear. Que responsabilidade acrescida lhe traz tal reconhecimento?

    Sou um designer, procuro estar sempre atento às tendências de moda, faço delas um estudo social, político e económico. Desta forma, o meu estudo leva-me a estar a par e a ser reconhecido pelos cadernos de tendências de moda ao lado das grandes marcas internacionais. Não se cria por criar, tem de se saber criar. Para mim é uma honra e para a marca é um estatuto.

 

  • Foi o estilista pessoal da primeira-dama Maria Cavaco Silva. Sendo a mulher do presidente da República, como foi lidar com tão especial cliente?

    É uma responsabilidade, acrescida e uma honra para qualquer designer vestir a primeira-dama do seu próprio país. Sempre estive bem assessorado, estudei a fundo o protocolo, pois todas as minhas sugestões tinham de ser esclarecidas e ter um propósito.

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  • Está casado com Carla Neto há quase duas décadas. Considera a sua mulher um pilar importante na sua caminhada para o sucesso?

    Sem dúvida. Ela conhece-me muito bem. Comecei a desenhar quando deixei de dar aulas na área de moda e design. Eu sou uma alma criativa e a Carla tem a difícil tarefa de gerir as atividades comerciais da marca.

 

  • O que faz no seu tempo livre?

    O pouco tempo que tenho livre é para viajar.

 

  • Onde vai buscar inspiração para as suas coleções?

    A simplicidade, a natureza, as viagens, conhecer novos ambientes e culturas diferentes despertam em mim o sentido criativo.

  • Quais os próximos projetos para a sua marca?

    Vou continuar a criar um prêt-à-porter com detalhes de luxo, um look sportswear chic. Hoje tenho mais um desafio que é ter um espaço em Lisboa na Praça da Alegria, 66 A, junto à Avenida da Liberdade. O Studio 66 é o nome da parceria composta por Studio by Carlos Gil, Studio by Boca do Lobo e Studio Gavinho.

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