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Entrevistas - 25.10.2019

Frederico Morais encontrou na água o seu verdadeiro elemento, quando ainda era criança. Feito homem, correu o mundo, em busca da onda perfeita. Hoje, é o mais conceituado surfista português, escalando as montanhas do mar na companhia dos melhores.



Começou a dar os primeiros passos numa prancha quando era ainda criança. Como surgiu o surf na sua vida? Quem foi o principal responsável por se ter iniciado nesta atividade?

O surf surgiu como uma brincadeira, nas férias passadas no Algarve, em família, e com uma prancha de bodyboard. Pouco depois, o meu pai começou a perceber que eu gostava muito da modalidade e que tinha jeito para aquela atividade. A partir daí, passámos para o surf mais a sério.

Quando é que o surf deixou de ser apenas um hobby, para se transformar em algo mais sério? Quando é que se apercebeu de que surfar podia ser o seu trabalho?

Na nossa família, temos a tradição de praticar desporto. Ninguém praticava surf, mas já havia um compromisso muito forte com os desportos que o meu pai e o meu tio praticavam. O mesmo aconteceu com o surf: acho que nunca foi um hobby, pois assumi, desde logo, o compromisso de ser profissional e de estar entre os melhores.

Quem gosta de surfar utiliza esta atividade como escape e forma para relaxar. Continua a divertir-se, hoje, da mesma maneira do que quando era criança? A pressão por alcançar os objetivos competitivos retirou-lhe, de alguma forma, o prazer de surfar?

A parte boa é que adoro o que faço, e isso é sempre importante, seja qual for a profissão. Por isso, divirto-me sempre e não faria sentido se fosse de outra forma. Os meus objetivos competitivos motivam-me e dão-me vontade de surfar mais e melhor. Não encaro essa pressão como algo negativo, bem pelo contrário. Gosto de me sentir desafiado e de dar mais de mim a cada momento de competição.

Como se prepara para enfrentar a competição? É suficiente praticar nas ondas ou é necessário um treino físico específico e complementar, fora da água?

Tenho um plano de treinos completo, dentro e fora da água. É muito importante estar preparado fisicamente e que o meu corpo tenha a capacidade de responder a todas as exigências que surgem na água. Há também treinos complementares, desenhados por profissionais, em conjunto com o meu treinador de surf, que asseguram as competências necessárias para poder atingir os meus objetivos.

O surf é um desporto muito solitário, no qual o surfista passa muitos momentos sozinho, em silêncio, à espera da onda perfeita. Esses períodos obrigam a que se faça um trabalho de preparação mental?

Penso que qualquer desporto profissional, de alta competição, exige que se trabalhe o aspeto mental. Há técnicas que podemos aprender, que nos ajudam a lidar com os nossos pontos fracos, a melhorarmos a concentração e o foco. O surf é um desporto individual e, por isso, já passei muito tempo sozinho; mas tenho a sorte de ter uma equipa, de ter tido uma família sempre presente, mesmo nas grandes viagens, e de ter um pai que, ainda hoje, faz questão de estar sempre ao meu lado em todos os momentos importantes.

Em 2016, qualificou-se para o circuito mundial da World Surf League, passando a fazer parte da elite do surf mundial. Tendo em conta tudo o que já alcançou até aqui, considera este momento o mais feliz da sua carreira?

Foi um momento inexplicável, o culminar de um conjunto de esforços, da dedicação e, acima de tudo, foi a realização de um sonho já com muitos anos. Foi, sem dúvida, o momento mais feliz da minha vida.

Este ano, tem estatuto de suplente no circuito mundial, no qual já competiu em virtude da lesão de um colega. Regressar, de forma permanente, ao grupo de melhores surfistas do mundo, é um objetivo prioritário?

Sim. O objetivo é, de facto, regressar no imediato ao grupo dos melhores do mundo, que é, na verdade, onde sinto que pertenço.

Em 2017, chegou à final do Corona Open J-Bay, na África do Sul, tornando-se no primeiro português a alcançar a fase decisiva de uma prova do circuito mundial. O que sentiu ao alcançar este 2.º lugar – a alegria da vitória ou a frustração da derrota?

Ninguém gosta de perder, e eu também não gosto. Sempre que ganhamos, devemos saborear o momento, pois trata-se do reconhecimento do nosso trabalho e da confirmação que estamos no caminho certo. Na África do Sul, em 2017, preferi escolher a vitória. Foi um recorde pessoal e nacional e, por isso, não faria sentido considerar este 2.º lugar como uma derrota. Deixou-me muito feliz e muito orgulhoso.

O Frederico Morais é o grande nome do surf em Portugal. A modalidade vive hoje um bom momento; é diariamente praticada por muitas crianças e jovens nas praias portuguesas. Sente-se um exemplo para os mais novos?

Sinto-me um exemplo, e fico muito contente com isso. Permite-me passar mensagens importantes, de sensibilizar as pessoas para a proteção dos oceanos e de as inspirar a seguir a modalidade.

Em 2017, lançou o seu próprio projeto: a escola “The Blue Room Surf Feeling School by Frederico Morais”. Como surgiu esta ideia?

Este projeto surge no seguimento da minha crença de que o surf é muito mais do que a performance. O surf traz-nos uma série de ensinamentos, enquanto seres humanos, a perseverança ou a dedicação. Mais do que ensinar manobras, são estes os valores que queremos transmitir aos alunos mais novos, enquanto se divertem a fazer surf.

Participa ativamente neste projeto, dando aulas, sempre que tem disponibilidade. É algo que espera poder continuar a fazer?

Espero que sim. Sempre que estou em Portugal, faço questão de dar aulas. É muito importante envolver-me e poder transmitir aos outros aquilo que sei fazer. Adoro transmitir a minha experiência aos outros.

Que conselho deixaria a um jovem que pretenda seguir as suas pisadas no mundo do surf? Por onde se deve começar?

Em primeiro lugar, tem de gostar verdadeiramente do que se faz e, depois, tem de trabalhar muito. É importante ver o surf numa perspetiva mais alargada, estabelecer objetivos e jamais desistir.

Existe um limite de idade para se começar a praticar surf? É possível, para um adulto, iniciar-se no surf?

Não há idade para fazermos aquilo que nos faz sentir bem. Na nossa escola, basta ter vontade. Todas as pessoas são bem-vindas às nossas aulas. Qualquer adulto pode começar a praticar esta modalidade.

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