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Entrevistas - 07.01.2020

Nunca sonhou com o fado até ao dia em que se cruzou com ele e percebeu imediatamente que era ali que se sentia completa. Hoje, cada vez que pisa um palco, Cuca Roseta diz que realiza o seu sonho. Tudo começou há oito anos quando lançou o seu primeiro álbum a solo – Cuca Roseta – e, desde então, que nunca mais deixou de cantar fado. De Portugal para o mundo, Cuca Roseta leva até aos corações de milhares de pessoas a música que diz ser património imaterial e que se canta «de alma para alma».

 

Na sua página oficial Cuca Roseta, diz que nasceu para cantar fado, mas que não o sonhou e que foi a vida que o trouxe até si… Como aconteceu este «encontro»?

O fado era o meu destino. Eu encontrei-me no fado porque passei a ser totalmente eu quando comecei a cantar fado. Mas o mais bonito desta história de encontro entre mim e o fado é o caminho até chegar até ele ou, neste caso, até ele chegar a mim. Não nasci num bairro típico, não se ouvia fado em minha casa, os meus pais sempre ouviram música clássica e óperas, e eu, quando o ouvi pela primeira vez, tive uma paixão, uma certeza que era aquilo que eu queria fazer. O fado era o único género musical que me puxava como um íman. Daí eu dizer que nasci para cantar fado, porque «todo o rio que corre acaba sempre por ir dar ao mar», e assim foi comigo também. Nascesse onde nascesse, ouvisse ou não ouvisse o fado de pequena, era ali que eu iria parar. Era o meu destino.

 

Uma grande parte das músicas que interpreta também é escrita por si. As músicas que escreve são um reflexo das emoções que vive?

Completamente. Para mim, a palavra que define o fado é «verdade». Quando contamos a nossa história de vida e nos emocionamos com as experiências de vida que tivemos, passamos uma verdade, uma verdade que é imprescindível ao fado para que chegue ao lado de lá com a força e o impacto que é caraterística dele.

 

Onde mais se inspira?

Encontro inspiração naquilo que sinto, naquilo que vivo, naquilo que observo. A natureza é um bom impulso para me fazer escrever. Quando começo a contemplar, os pensamentos vêm e, naturalmente, perante a beleza da vida, a inspiração surge… Grande parte das minhas músicas nasceu no avião, quando olho as nuvens pela janela…

 

É uma mulher de emoções. Foi, por essa razão, que escolheu formar-se em Psicologia?

Sempre tive a paixão pelo comportamento humano. Adoro observar as pessoas e descobri-las, e pensar sobre elas. A Psicologia foi uma das melhores coisas que fiz na vida, pois tem tudo que ver comigo, e como diz o meu querido pai: «O saber não ocupa lugar.» Mesmo nunca tendo exercido Psicologia, essa formação trouxe muito à vida e ao fado, que levo para tantos países e para tantas culturas diferentes.

 

Esta formação, hoje, ajuda-a, de alguma forma, a interpretar os sentimentos e as emoções que fazem parte das suas músicas?

Todo o conhecimento que adquirimos é importante para o que fazemos, e como acredito que «nada acontece por acaso», ter tirado o curso de Psicologia foi um «bom background» para aquilo que faço hoje, que é trabalhar com sentimentos e emoções de milhares de povos e culturas diferentes.

 

Fez parte da banda Toranja, mas a sua projeção mediática chegou depois, já enquanto fadista, com o lançamento do seu primeiro álbum a solo, Cuca Roseta, em 2011. Esperava este impacto?

Nunca esperei, e continuo sem esperar. Sou muito sonhadora e romântica, mas, naquilo que toca à música, sigo o que me diz o coração e o instinto no momento presente. Depois o que fazemos no presente com dedicação por inteiro acaba por ter reflexos bons no futuro. Mas gosto de ir vivendo um dia de cada vez e a cada dia que canto, seja num espaço pequeno ou para milhares de pessoas, realizo o meu sonho, sempre que subo àquele palco.

 

Tem pisado vários palcos internacionais… Este ano já esteve em Viena, em Paris, no Dubai e em Marrocos. Como acha que os estrangeiros veem e sentem o fado?

É incrível como eles sentem «para lá da palavra». O fado não é declamação de poesia de vida, mas é uma música que está «para lá da palavra». É património imaterial da humanidade, de Portugal feito para o mundo, como se não houvesse diferentes línguas ou fronteiras. O fado é uma canção «de alma para alma», e aqui se explica o impacto que tem naqueles que o ouvem por todo o mundo. É gratificante vê-los chorar quando não entendem uma palavra, é maravilhoso perceber como esta música vibra no coração daqueles que o sentem, o fado é quase como uma cura, uma canção do divino.

 

O seu talento tem ultrapassado a música e, hoje, é também um ícone de beleza, em Portugal. Prova disso, têm sido os convites para ser o rosto de várias marcas nacionais e a recente distinção como «a mulher mais sexy de Portugal». O que acha que os portugueses veem em si, para além da fadista?

Sempre fui uma pessoa que gosta de fazer muita coisa. O tempo para mim, quanto mais cresço, mais cresce também, então acabo por partilhar todos esses lados que tenho para além do fado, as paixões como o yoga, o taekwondo, o surf, a dança, o estilo de vida saudável, e isso naturalmente vai chamar outras pessoas a se identificarem também com o que faço. As redes sociais, hoje em dia, mostram muito mais do artista, mostram o outro lado da pessoa. A elegância sempre foi para mim um cartão de visita muito importante, gosto de me sentir bonita e, naturalmente, as marcas depois procuram refletir os seus valores nesse cuidado, pois também a moda é um modo de inspiração. Quando vemos alguém arranjado ou bonito, sentimo-nos inspirados.

 

Já teve a oportunidade de conhecer Angola, em 2017. Como foi esta experiência?

Eu adorei Angola e tenho muita curiosidade. A minha irmã viveu lá cinco anos e ela tem uma paixão tão grande por Angola, que acabou por me passar essa vontade de conhecer mais. O povo angolano é maravilhoso, tenho feito muitos amigos na vida de Angola, e são pessoas fantásticas que falam com o coração nas mãos. Espero poder voltar muitas vezes a cantar, em Angola.

 

Quais foram os concertos que mais a marcaram, ao longo da sua carreira como fadista, e que vai guardar para sempre na sua memória?

É tão difícil escolher, há tantos que são tão especiais… Mas cantar para o Papa Bento XVI foi um momento incrível e cantar para os reis de Espanha e da Suécia, nos seus palácios lindíssimos, foram momentos que me marcaram muito. Goa, Geórgia e Manaus também me marcaram muito. Também recordo a Argélia, onde o público fazia sons com a boca e os pés, de alegria, e os concertos na Holanda também me marcaram profundamente… Mais recentemente, gostei de cantar na Áustria e em Viena, e em Barcelona fiz um concerto na Plaza Mayor, lindíssimo e muito especial. Cantar no Dubai também foi incrível e cantar para o povo chinês, em Pequim, foi uma experiência muito marcante pela forma como reagiram ao fado.

 

O seu último álbum Luz foi lançado, em 2017. Para quando podemos esperar um novo álbum?

Este álbum está quase, quase pronto, e acho que vai ser o álbum no qual me consegui entregar mais. Acho que, quanto mais crescemos, mais conseguimos dar e, quanto mais damos, mais profundamente chegamos. É um orgulho este álbum que aí vem… Estou ansiosa por o partilhar.

 

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